domingo, 13 de outubro de 2019

Integrar.



Foto Oficial do Evento de Apresentação do Programa Fundamental à Líderes de Famílias Kung Fu.





Na terça feira passada, meu Si Fu, Mestre Senior Júlio Camacho, recebeu no Mo Gun Sede do Clã Moy Jo Lei Ou, situado no bairro da Barra da Tijuca, dois de seus irmãos Kung Fu: os Mestres Seniores pela Moy Yat Ving Tsun Martial Inteligence, Ricardo Queiroz e Úrsula Lima.
Durante a visita, Si Fu apresentou aos seus irmãos Kung Fu as bases do Programa Fundamental, que é um Projeto desenvolvido por ele e seus Discípulos, que tem a finalidade de apresentar em três ciclos, os fundamentos do Sistema Ving Tsun.






Si Fu fala sobre as bases do Programa Fundamental, observado por minha Si Mo, senhora Márcia Moura, ao lado do Mestre Senior, Líder da Família Moy Ke Lo Si, Ricardo Queiroz. Sentada está a Mestra Senior Úrsula Lima, Líder da Família Moy Lin Mah.





A pedido da Si Sok Úrsula Lima, a apresentação foi feita por um dos Discípulos de meu Si Fu, e o escalado foi o Diretor do Núcleo Barra da Tijuca, André Guerra.
Meu Si Fu sempre foi um elo de integração dos Núcleos no Rio de Janeiro. Si Hing de todos os Mestres da Moy Yat Ving Tsun fluminense, sempre dividiu generosamente seus Projetos e ofereceu apoio ao trabalho de todos os Núcleos de todas as Famílias Kung Fu.
Si Fu gosta muito da palavra integrar, que além de remeter à ideia daquilo que é íntegro, aponta para o sentido de um grupo que segue junto.






André Guerra apresenta listagem do Programa Fundamental.





Minha Si Sok Úrsula Lima lembrou aos presentes o quanto meu Si Fu representa para o Ving Tsun do Rio de Janeiro, lembrando a colaboração que recebeu em sua própria formação. Si Sok Ricardo Queiroz falou do intercâmbio que há, através de conversas e dicas que ele dá ao nosso Diretor do Núcleo Barra da Tijuca, André Guerra.
Depois da prática, que contou com diversos Discípulos e Membros Ativos, os presentes apresentaram suas impressões sobre a prática.
Com a organização e cuidado da parte administrativa, realizado por Guilherme de Farias, e a parte prática, coordenada por André Guerra, o Evento foi um sucesso, alcançando seu objetivo de apresentar o projeto do Programa Fundamental, além de realizar algo muito querido por meu Si Fu: a integração.





Eu ao lado dos Si Sok Úrsula Lima, Líder da Família Moy Lin Mah e Ricardo Queiroz, Líder da Família Moy Ke Lo Si.





domingo, 6 de outubro de 2019

Um Dia Histórico.



Eu recebendo do Si Fu a joia de Discípulo, símbolo de nosso Clã.





Seria um sábado como todos os outros de prática no Núcleo Barra da Tijuca. Chegamos, preparamos o Mo Gun para as atividades do dia. Durante nosso café da manhã, Si Fu fez comunicados importantes para nós. Um deles foi particularmente especial para nosso irmão Kung Fu Carlos Antônio de Oliveira: Si Fu disse que nossa Si Mo, senhora Márcia Moura já o observava como possível futuro Discípulo. Naquela manhã, Si Fu o convidou para iniciar seu processo discipular. Carlos aceitou, convidando nosso irmão Kung Fu, André Guerra para ser seu orientador.
O dia estava só começando e um novo capítulo deste dia histórico seria escrito. Sua primeira página  na realidade, foi escrita dias antes, para ser mais específico, na quinta feira dia 3 de outubro, com a entrega da primeira joia em formato de broche do Clã Moy Jo Lei Ou ao nosso irmão Kung Fu, Membro Regular, atualmente no nível intermediário do Sistema Ving Tsun (Cham Kiu), Clayton Quintino.






Fotos Históricas: Clayton Quintino recebe das mãos de nosso Si Fu, o primeiro broche do Clã Jo Lei Ou, um de nossos símbolos de legitimidade. 





É uma joia é utilizada em momentos especiais. O grande Clã Moy Yat Sang, liderado por nosso Si Gung, Leo Imamura faz uso do broche (ou em inglês: pin, como é chamado no Grande Clã) em Cerimônias. Seguindo a tradição, meu Si Fu idealizou uma joia que simbolizasse o espírito de seu próprio Clã, criando o broche da Família Moy Jo Lei Ou, que será usado por nós, em Eventos Especiais, junto com o do Clã Moy Yat Sang, representando nossa geração, e a geração imediatamente acima da nossa.
 No sábado, Si Fu anunciou aos presentes que nossos broches estavam prontos e seriam entregues por ele, a cada um de nós, naquele mesmo dia.
Uma joia sempre carrega em si um símbolo. Todo o símbolo, vem carregado de uma mensagem, de uma ideia, de uma singularidade. E tudo isto está inserido no broche do Clã Jo Lei Ou.
Ao explicar o formato em pétalas sobrepostas, onde uma apoia a outra, Si Fu nos falou sobre integração, onde todos são importantes e ninguém se sobressai a ninguém. Girando o broche, ele sempre se apresenta da mesma forma, símbolo de nossa unidade.
O broche de prata é usado pelo membro que ainda não se tornou Discípulo, como é o caso de nosso irmão Kung Fu que foi o primeiro a receber, Clayton Quintino. Uma bela joia, que reflete no seu prateado o frescor de uma relação ainda jovial, com grande potencial para crescer. O broche dourado marca a relação discipular, que é para sempre, sua cor representa a coroação de uma relação que está madura, que já tem uma História, e que exatamente por esta razão, deve ser ainda mais próxima e sólida com Si Fu.
O vermelho na China simboliza a sorte. O broche do Discípulo que já é Mestre, é dourado com a parte interna das pétalas em vermelho. Como um Mestre já pode ter sua própria Família Kung Fu, no vermelho está o desejo de boa sorte de nosso Si Fu, para seu Discípulo na nova jornada, seja como líder de Família, seja em qualquer outra atividade que venha desenvolver com mais autonomia.
E mais tarde, encerrado o café como também o primeiro momento programado de práticas, Si Fu entregou pessoalmente nossos broches. Foi um momento muito especial: além de estar entre os irmãos Kung Fu que naquele grupo receberam das mãos do Si Fu, ( no meu caso o broche de Discípulo) pude ouvir dele, o que representava aquele momento como um marco da relação Si-To com cada um de nós, através da entrega deste símbolo de legitimidade do Clã Moy Jo Lei Ou.







As joias símbolos do nosso Clã: Prata (Membros Ativos) Ouro (Discípulos) e Ouro com Vermelho (Mestres). O detalhe do estojo em preto da joia dos Membros Ativos, simbolizando a receptividade com que são acolhidos os Membros mais novos.





E as entregas começaram pelo convidado ao processo de Discipulado, nosso irmão mais jovem de Kung Fu presente naquele sábado, Carlos Antônio de Oliveira, atualmente praticante do Programa Experencial. Ele estava acompanhado de suas filhas, Anabel e Arya e foi o primeiro de nosso grupo a receber a joia, e Si Fu também agraciou suas duas filhas.
  Si Fu falou para Carlos que a relação discipular é para sempre, é um casamento onde não existe divórcio. É uma relação forte, resistente e persistente, no sentido de que não se dobra à força do tempo, pelo contrário, a ele se alia, junto a ele se protrai. É como o Si Fu sempre diz: "que nossa relação seja longa".






Nosso irmão Kung Fu, Carlos Antônio de Oliveira e suas filhas Anabel (de azul) e Arya (de vermelho).  





Cristiano Oliveira foi daquele grupo que praticou junto naquela manhã, o segundo a receber sua joia.  Ele é Membro Ativo e atualmente praticante do Nível Experencial, após receber seu broche prata, eu disse a ele o quanto é auspicioso, receber este símbolo de legitimidade, e ter a oportunidade de receber todos das mãos do Si Fu, por toda a trajetória dentro do Sistema Ving Tsun.





Cristiano Oliveira recebe seu broches das mãos do Si Fu.






Depois foi entregue a joia dourada de Discípulo à Marcelo Firmino. Si Fu expressou sua alegria naquele momento e disse ao seu Discípulo sobre seu desejo de estarem a cada dia mais próximos. Marcelo mora em Itaguaí, e já demonstrou o desejo de levar um dia a prática do Ving Tsun para àquele Município fluminense.





Marcelo Firmino recebe sua joia das mãos de Si Fu. Desejo de mais proximidade com seu Si Fu.






Em um terceiro momento, uma entrega dupla. Eu e meu irmão Kung Fu Clayton Meireles, recebemos ao mesmo tempo nossas joias. Uma razão muito especial: Si Fu confiou à nós dois a participação no Projeto que levará a Moy Yat Ving Tsun Martial Inteligence ao bairro da Tijuca. Desejoso que eu e meu irmão estejamos juntos em prol deste importante passo para o desenvolvimento do Ving Tsun no Rio de Janeiro, recebemos nossos broches juntos como símbolo desta união.





Si Fu fala a mim e a Clayton Meireles sobre a importância de caminharmos juntos, no crescimento do Clã no Rio de Janeiro.





Mais uma entrega dupla: desta vez Thiago Silva e Guilherme de Farias recebem suas joias. Emocionado, Si Fu falou que tem um desejo em relação a estes seus dois Discípulos. Não verbalizou qual desejo é. Nem precisava: tanto Thiago e Guilherme, quanto os presentes, sabiam que estes dois irmãos Kung Fu, com colaborações tão especiais na Direção do Núcleo Barra, com uma história tão rica ao lado de nosso Si Fu, e estando ambos no último nível do Sistema Ving Tsun, tem do Si Fu o desejo, e particularmente de mim a torcida, de que em breve completem o Sistema, tornem-se Mestres, e em breve recebam o que de mais singular e auspicioso tem no broche dos Mestres formados por meu Si Fu: O vermelho chinês, o desejo de boa sorte!





Guilherme de Farias (esquerda) e Thiago Silva (direita). Membros do Nível Superior Final (Baat Jaam Do) e o desejo do Si Fu de que ambos em breve, completem o Sistema se tornando Mestres de Ving Tsun.




domingo, 29 de setembro de 2019

Chung Chi.

André Guerra e Marcos Leiras praticam Chi Sao. Importância do Chung Chi nesta prática.




Para alcançarmos os nossos objetivos, é essencial que tenhamos foco, e que aqueles venham acompanhados de ações para que nossos projetos se concretizem. Não raro, a realização daquilo que desejamos demanda algo além de esforço; demanda tempo. Desta forma, a energia que colocamos em prol da realização dos nossos objetivos, precisa se manter constante, até que aquilo que desejamos, seja alcançado.
Não raro, a frustração em não alcançar o objetivo traçado, reside no fato de que a energia que deveria se manter até o resultado final, se enfraquece ou mesmo deixa de existir antes que alcancemos aquilo que desejamos. 
O que o Kung Fu tem a nos dizer sobre isto?
Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, nos fala da importância em mantermos o Chung Chi. É uma energia constante movida para frente durante um exercício chamado Toei Ma (mover cavalo), onde deslocamos nosso companheiro de prática, ou ele nos desloca, com a energia liberada.
O movimento para frente realizado através do Chung Chi nos leva a refletir sobre a importância do comprometimento de nossa ação, com energia constante, na direção de um objetivo.





Roberto Viana e Luiz Matheus. Prática Núcleo Barra.





 Assim como vencemos a estrutura do outro ao movê-lo, também podemos ser movidos por seu Chung Chi. É um interessante laboratório para a vida, afinal nada vem "de mão beijada" sempre haverá uma energia contraposta à nossa, um desafio a ser vencido, e como o Kung Fu é um processo de desenvolvimento humano, a compreensão e a capacidade de manter o Chung Chi em todas as áreas da vida, é de fundamental importância para a busca de melhores resultados. 
Havendo um objetivo a se alcançar, seja ele qual for, quando nos movermos em sua direção com Chung Chi, temos muito mais chance de realizá-lo. 





Si Fu nos fala sobre as ações que devem ser colocadas em prática  em nosso Clã.

domingo, 22 de setembro de 2019

Detalhes.


Meu Si Fu lê minha Carta de Requerimento ao Discipulado durante meu Baai Si.



O Ving Tsun é um Sistema de Kung Fu que não privilegia a força, muito pelo contrário. O uso exagerado dela, é na realidade algo que não favorece, na realidade até atrapalha.
É um Sistema de Kung Fu que não depende de jovialidade ou de muito vigor físico. Sua excelência está na capacidade de compreensão através do trabalho de sensibilidade na percepção do oponente, (emprego aqui no sentido de oposto, não de rival), como também no estudo apurado de cada movimento, de aparente simples execução, porém rico nas etapas de seu desdobramento.
O Ving Tsun possui detalhes, e eles são reveladores para além de um refinamento técnico, que também ocorre. Durante o desenvolvimento do praticante, ele aumenta a potência de sua lente sobre si mesmo, é um encontro, uma descoberta, potenciais e limites são apresentados e experimenta-se a revelação da própria imagem, como em um espelho.




Minha Admissão na Família Kung Fu.


A prática dentro do Mo Gun entrega ao praticante cenários diversos, sendo sempre necessário lançar sobre eles uma "lente Kung Fu"para retirar-se de cada um deles o melhor proveito.
Estes detalhes "escondidos" na prática de Ving Tsun, mostram na maioria das vezes, que tentamos encontrar respostas mirabolantes quando poderíamos ser mais eficazes com respostas mais simples e diretas. O pensamento Ocidental difere muito do pensamento clássico chinês neste ponto: enquanto o corrente pensamento ocidental cria regras e fórmulas para buscar resolver os mais diversos assuntos, estudos de auto ajuda e demais técnicas, o pensamento clássico chinês entra em simbiose com todo e qualquer cenário que apareça, não nega ou reage negativamente contra o que ocorre. Ele observa o cenário e apoia-se nele, para encontrar o resultado mais favorável. Este resultado, não será "criado" através de uma "fórmula mágica", ele será favorável porque o potencial que a situação oferece foi observado e nele se atuou. No Ving Tsun o pensamento clássico chinês é desenvolvido através de nossas práticas dentro de um Sistema que não se prende apenas à técnica, o que seria observar apenas a superfície. No Ving Tsun, buscamos também a percepção dos detalhes.






Foto Oficial de meu ingresso na Família Kung Fu.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Os elos da corrente.


O Kung Fu como o elo que une três gerações de Mestres de Ving Tsun: Si Taai Gung Moy Yat, (foto no quadro) Si Gung Leo Imamura e meu Si Fu, Julio Camacho.


Em um de nossos encontros, ouvi de um irmão Kung Fu uma pergunta dirigida ao nosso Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, sobre o porquê de muitas vezes, valorizamos tanto pessoas de gerações anteriores à nossa, pessoas estas que sequer conhecemos pessoalmente, sequer temos algum nível de convívio. Si Fu ensinou aos presentes sobre a importância que há neste zelo, com o exemplo dos elos da corrente.


Si Fu abraça seu Discípulo de número 1, Leonardo Reis, por ocasião de seu Aniversário. 


Ele nos disse que por mais forte que sejam os elos de uma corrente, basta que apenas um seja frágil o suficiente para romper-se quando posto à prova diante do peso, para que toda a corrente se rompa.
É de fundamental importância para o praticante de Kung Fu compreender que ele como To Dai deve zelar por seu Si Fu. É uma relação humana onde o cuidado deve ser mútuo, afinal, seu Si Fu zela por você, nada mais natural a reciprocidade sincera de seu Discípulo. Eu escolhi a palavra sincera, não por acaso: nela repousa uma ideia de que algo está sendo espontâneo, de coração e além disso, com base na confiança mútua.



Si Fu e eu em uma foto após jantar  no bairro do Méier. 



É da relação de confiança entre o Si Fu e To Dai, que brota o fortalecimento dos elos da corrente. Afinal seu Si Fu também tem um Si Fu e igualmente zela por ele, e assim por diante. De modo que quando uma geração zela pela outra, os laços se estreitam, o elo da corrente se fortalece. Este elo é provido através da Vida Kung Fu, que por sua vez, é a geratriz do Kung Fu de cada praticante. Assim o elo forte da corrente une a todos, e a todos favorece. Isto é ter bom Kung Fu.



Meu Si Fu abraça Si Gung por ocasião de seu Aniversário, comemorado no mês de Março em São Paulo. Foto 2019.

domingo, 25 de agosto de 2019

Laços.


Si Fu e eu em seu escritório. Núcleo Barra da Tijuca.



Um dia, depois de uma conversa com meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, ele me perguntou:
-Você vai na Cerimônia de Baai Si de seus irmãos Kung Fu?
Eu respondi que sim, e com um entusiamo na resposta disse:
- Claro Si Fu, não perderia o Baai Si do Vladimir e do Thiago por nada.
 Lembro que Si Fu me respondeu:
- Roberto, não serão apenas eles a fazerem Baai Si.
Respeitosamente respondi ao meu Si Fu:
- Sim Si Fu, gosto de todos os meus irmãos, é que sou mais próximo deles dois.
Si Fu me respondeu:
- Sim, não significa menos pelos outros, mas sim mais por eles.
Já fazem alguns anos que este diálogo ocorreu e o guardo na memória com muito carinho. Meu Si Fu sempre me permitiu ser honesto na resposta, retirando o melhor dela, melhorando minha compreensão sobre meus próprios sentimentos.
  Este breve diálogo introduz bem o relato de Vida Kung Fu que faço hoje, através de alguns dos laços que criei, e aqui relato através da experiência com três irmãos Kung Fu, um pouco daquilo que vivemos juntos.

Quando iniciei a prática do Ving Tsun, no ano de 2003, meu objetivo era apenas um: aprender a lutar e me tornar o melhor possível. Com a convivência dentro do Mo Gun, ganhei muito mais do que procurava, e percebi como era pobre o meu objetivo. Uma das pessoa que ajudaram a acordar e acabar com esta minha fantasia, chama-se Vladimir Anchieta. Lembro de uma sessão de Siu Nim Tau em que eu disse que não lembrava da sequência da forma, e como era um hábito antigo meu, fazia flexões em lixa número sete (que servem para lixar barras de ferro) toda vez para me punir quando um objetivo marcial (tive passagem pelo Karate) se frustrava. Vladimir, homem de poucas, porém sábias palavras me disse:
-Depois das flexões, você lembrou da forma?
Respondi que não, e ele me disse:
-Então pratica a forma no lugar das flexões.
Começou ali, nossa amizade e a minha admiração por um irmão, que durante muito tempo chamei de homem de gelo, que não se abalava, nem durante as práticas mais duras, com golpes mais incisivos. Um homem de palavra, sempre cumpre aquilo a que se propõe, alguém a quem admiro e respeito, o pai da Valéria e do Daniel, meu irmão Kung Fu.




Vladmir Anchieta, no centro, entre mim e Thiago Pereira.



Este outro irmão é o caso clássico da cegonha bêbada, que entregou seu irmão no lugar errado. Uma afinidade imediata, desde quando me apresentou o Mo Gun quando lá pisei a primeira vez, ornamentado por bolas de gás coloridas, por causa da  comemoração do Aniversário do Si Fu. Fernando Nunes de Almeida Xavier, ou apenas Xavier como era conhecido na época, xará de X-Men, sem a cadeira de rodas, saía do bairro, berço do samba carioca, ( Madureira) de bicicleta, pedalando até o bairro de Jacarepaguá, onde ficava o Mo Gun. Criador do Dancing Biu Ji, aproveitava o ritmo do Funk para estilizar na forma de Dança o terceiro nível do Sistema Ving Tsun.
Sua percepção do Sistema, leva-o a fazer comentários que refletiam sua sensibilidade na percepção sobre o Ving Tsun ,um destes comentários lhe rendeu elogio do Si Baak Gung, Micky Chan.
Ficamos muito próximos, praticando juntos, e por várias vezes dormimos no Mo Gun. Quando íamos para casa, fazíamos o caminho a pé, eu ficava em Cascadura e ele ia até Madureira. Muito do meu Ving Tsun se alimentou neste caminho.




Eu e Fernando Xavier: Intervalo de prática Núcleo Barra da Tijuca.




Eu, ainda bem no início do Siu Nim Tau, certa vez chegando ao Mo Gun, ouvi um som que vinha do boneco de madeira (Muk Yan Jong), e lá no fundo da área de prática estava um menino magrelo, de camiseta sem manga e rabo de cavalo, batendo como se quisesse rachar o boneco ao meio. Como na época eu também era um cara "tarado" no sentido marcial da palavra, gostei do que vi.
Tempos depois estávamos eu e este jovem, dentro do Mo Gun, rindo muito ouvindo a versão satirizada da música Daileon, do seriado japonês Jaspion: "O cara tossiu/ o cara tossiu... Descobri que além de gostar de arte marcial de uma forma parecida com a minha, tinha a mesma linha do meu  humor.
Lá no passado, idos de 2003, era o "Pereira", hoje é o líder da Família Moy Fat Lei, Mestre Qualificado pela MYTMI, Thiago Pereira.
 Ele contou que certa vez nosso Si Fu disse-lhe: "Thiago você é um milagre do Ving Tsun. Você era um cara chato que só queria saber de luta".
Verdade. A palavra milagre provém de "miraculum" que significa "algo admirável". Posso dizer que a minha admiração por este meu irmão é proporcional à sua transformação. O Discípulo de número dois de nosso Si Fu, é Mestre de Ving Tsun, também versado em língua e escrita chinesa, Líder de uma Família Kung Fu no bairro do Méier, também foi meu orientador de Baai Si, além de me ajudar de muitas outras formas dentro da Família Kung Fu.




Eu (óculos escuros)  ao lado de Si Fu, observando Thiago Pereira executando o Muk Yan Jong.




Posso dizer que o Sistema Ving Tsun proporciona momentos que certamente não viveria em outro lugar. Faço deste relato sobre um pouco da minha trajetória através da convivência com alguns dos meus irmãos Kung Fu, um abraço fraterno à todos que caminham ao nosso lado. Si Fu sintetiza toda esta experiência, seu sentido e seu valor, em uma frase, uma das razões de ser do nosso Clã Moy Jo Lei Ou: Sigamos juntos!



Meu Si Hing Thiago Pereira e sua Família Kung Fu (Moy Fat Lei).

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Hai Tong.



Patriarca Moy Yat: "Kung Fu sem Hai Tong não é Kung Fu, Kung Fu que depende de um Hai Tong não é bom Kung Fu.




O pensamento chinês desde muito tempo reconhece a impossibilidade em se criar um padrão, algo que pudesse modelar a evolução natural de uma tendência. Um olhar atento, seja na direção do convívio em Sociedade, seja para aquilo que ocorre na Natureza, com ou sem a intervenção humana, nos leva a perceber como tudo, o tempo todo, varia. A migração dos pássaros, as ondas do mar, a agitação dos grandes centros urbanos, tudo, a todo tempo, está em constante variação de estado. Mesmo as mudanças mais lentas, não podem ser ignoradas, como nossa própria imagem variando no espelho com o passar dos anos.


Durante meu Baai Si: Si Fu lê meu requerimento de Discipulado. Ao fundo na foto, meu irmão Kung Fu e também Discípulo Rodrigo Moreira.



Como não é possível impedir a dinâmica deste todo nem sempre harmônico, é importante explorar ao máximo até onde vão as possibilidades de mudança, e fazer o melhor proveito disso.
Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho nos ensina que não devemos "forçar nada", que a figura do "herói que se esforça" é na realidade uma imagem que não corresponde à do melhor praticante de Kung Fu, pois, quanto menor esforço necessário para alcançarmos o resultado favorável, melhor nosso Kung Fu.

É na atenção que dedicamos aos processos, ou seja, de como as coisas são, e todas as etapas de transformação até à chegada do resultado, será exatamente neste "durante" que devemos atuar com atenção para o alcance do melhor resultado. Este processo deve ser respeitado, não deve ocorrer qualquer tipo de manipulação para forçar uma tendência, muito pelo contrário. É saber retirar proveito das condicionantes que são oferecidas e atuar com elas, e não contra. É como um surfista: ele não briga com a onda, mas entra em harmonia com ela, tirando o melhor proveito.

É o Hai Tong, fruto da Cultura Chinesa, que buscou esclarecer de que modo através da dedicação aos processos, um fenômeno poderia ser bloqueado ou favorecido. Desta forma se obtém, através das condicionantes preparadas, o resultado desejado.
A ideia que o Hai Tong traduz, é o que podemos chamar de Sistema de variação.




Si Fu caminha ao lado de Si Taai Gung  Moy Yat, nas proximidades da casa do Patriarca de nosso Clã.