quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Entrevista: Si Fu e Si Mo na Flórida.

A entrevista está disponível em: https://youtu.be/Otb3zsE6otk

 

Ao falar sobre a categoria do visto de habilidade extraordinária, recebido por meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, que lhe concedeu a permissão para trabalhar e residir nos Estados Unidos, o entrevistador, Paulo Paternes assim descreveu:

"Para vocês entenderem, pessoal, o habilidade extraordinária é assim: Os Estados Unidos dizem que esse cara é tão bom que ter ele por aqui com a gente é um privilégio".

A partir desta elogiosa introdução, meu Mestre foi apresentado e teve a oportunidade de apresentar a sua visão sobre o Ving Tsun em uma excelente entrevista, que foi ao ar pelo You Tube, terça-feira passada.

Em um ambiente descontraído e amistoso, Si Fu e Si Mo (senhora Márcia Moura) contaram sobre suas experiências, de como está sendo morar desde 29 de janeiro deste ano na Florida, e sobre a oportunidade de terem o contato diário com uma nova cultura, e claro, falaram também sobre Ving Tsun.




Com muita simpatia e perguntas interessantes, o comunicador Paulo Paternes conduziu a entrevista.



Si Fu contou brevemente sobre sua história dentro das artes marciais. Seu pai era faixa preta de Jiu Jitsu, e foi lendo um dos livros de seu pai que ele viu pela primeira vez o termo Ving Tsun. A partir deste momento da entrevista, Si Fu relata alguns fatos sobre a história do Ving Tsun, sua trajetória e em seguida apresentou vários aspectos filosóficos e culturais deste Sistema de Arte Marcial que reúne várias pessoas ao redor do Mundo.





Uma bela conversa sobre o Ving Tsun e o benefício trazido através desta arte marcial chinesa.




O Kung Fu não é para lutar, é para fazer bem qualquer coisa bem, inclusive lutar. Com estas palavras, Si Fu apresenta esta arte chinesa fora do vivo estereótipo que a luta tem no imaginário popular. Foi uma  oportunidade de apresentar que o campo da marcialidade da luta, é o que envolve maior tensão. O Kung Fu leva o praticante a relaxar na crise (relaxamento não é displicência). É saber tirar proveito do desfavorável para se refinar, atuar com eficácia, ilustrou sobre o fato de que quanto mais agressivo o outro, mais ele gera oportunidade para uma conexão, podendo-se tirar proveito dela. Paulo Paternes compreendeu e comparou com a seguinte analogia:
"O empreendedor nato, quando a coisa está ruim ele ganha dinheiro, quando a coisa está boa ele também ganha dinheiro".
Si Fu deixou claro na entrevista que a arte marcial não é um fim em si mesma, mas um meio para que a pessoa se desenvolva e seja capaz de viver conforme seus valores e consiga encontrar nas mais variadas situações da vida, respostas eficazes. É perceber o proveito que há em tudo, que a diferença entre o erro e o acerto está naquilo que se retira de cada situação, do aprendizado gerado. 
Foi uma oportunidade de ouvir, aprender, e acima de tudo reafirmar aquilo que vem impresso em seu visto concedido pelos Estados Unidos: a sua habilidade extraordinária.





Programa de entrevistas que recebeu Si Fu e Si Mo na Florida.

domingo, 8 de novembro de 2020

Entrevista: o Kung Fu e o Mestre.


A entrevista disponível em: https://youtu.be/iJFS7RsKO0g 



"Para quem conhece o Surf, eu apresento o meu Ving Tsun,
Para  quem conhece o Ving Tsun, eu apresento o meu Surf.
 Para quem me conhece, finalmente eu apresento este livro.
E para  quem  não me conhece, este livro  me  apresenta" .

Mestre Senior Julio Camacho: in, Tao do Surf.



Na noite de quinta-feira passada, meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho foi entrevistado pelo Canal do You Tube Bubbles Podcast, onde teve a oportunidade de contar um pouco sobre sua vida e sua carreira. Na realidade esta separação de termos nem existe, afinal, ele realiza todas as suas atividades como uma expressão legítima sua própria vida. 
Morando desde o início deste ano na Flórida, está iniciando uma série de entrevistas que oferecerão a oportunidade ao público de mídias sociais terem um contato mais próximo sobre a sua leitura do Sistema Ving Tsun. 




Em clima descontraído, Si Fu foi entrevistado por: Gabriel Carvalho (ao fundo), Juliana Bitencourt e Paulo Filho.



 Paulo Filho, falou sobre ter compreendido a partir daquela entrevista, que o Kung Fu não se trata apenas de uma luta, o que até então era a sua visão sobre esta expressão de arte marcial chinesa, e este apontamento gerou a oportunidade de meu Si Fu apresentar para a audiência, presencial e on-line (via You Tube), a seguinte resposta:
"Se você tem uma arte que quase que atravessa a sua maneira de pensar e de ser, você usa aquilo o tempo inteiro". 





Paulo Filho: seus questionamentos motivaram as respostas do Si Fu contidas nesta postagem.




A luta surge o tempo todo na vida, e raramente se manifesta de forma física. Seja no trabalho, na família, enfim, em qualquer nível de atividade somos mobilizados a darmos respostas que exigem de nós competência emocional. A prática de uma Arte Marcial como o Ving Tsun que tem como característica o não uso da força, é fundamental para não "brigarmos" com acontecimentos, pelo contrário, nos apoiarmos neles, e tirarmos o melhor proveito.
Outro questionamento de Paulo Filho sobre o Ving Tsun ter sido criado por uma mulher em uma China dominada por homens, gerou da parte de meu Si Fu outra resposta que serve de chave de leitura ao que eu afirmo no parágrafo anterior:

"Até onde a gente sabe o Ving Tsun foi a única arte marcial que foi desenvolvida por uma mulher, criada por uma mulher. E essa criação se deu de um encontro dela com uma monja. Foi uma mulher que transmitiu para outra mulher e veio uma tradição de homens depois disto (...) Isto afeta diretamente o próprio movimento, o próprio Sistema, porque não pode ser uma arte marcial baseada na força (...) uma arte marcial baseada muito mais na sensibilidade, na atenção e no cuidado(...) tem uma série de características femininas que fazem do Ving Tsun uma prática ímpar, singular".



Si Fu respondendo a perguntas sobre o Kung Fu.



Este pequeno recorte feito por esta postagem, é apenas um cartão de visitas de uma entrevista de mais de duas horas. Nela meu Si Fu teve a oportunidade de falar sobre a essência da arte marcial, que é o desenvolvimento humano, premência de morte, combate simbólico, como o Kung Fu pode ser desenvolvido por qualquer pessoa, e diversos outros temas, como psicologia e surf.
 A entrevista foi uma grande oportunidade de ouvir um Mestre de Ving Tsun dividindo um pouco do seu conhecimento adquirido em décadas de prática, ou como ele mesmo diz, de Vida Kung Fu. E próxima terça-feira, Si Fu concederá nova entrevista.




Si Fu concederá nova entrevista na próxima terça-feira dia 10 de novembro.






 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Pronto para o disparo.


As facas gêmeas do Ving Tsun.



Os movimentos que realizamos em uma prática de Kung Fu não são um fim em si mesmo. São desencadeados de forma estratégica, onde o precedente prepara e favorece a execução do próximo. 
E quando estamos em um estado estacionário? 
Em termos de Kung Fu, estar parado não é estar inativo. Há um potencial acumulado pronto para entrar em ação, assim que o cenário exija que ele seja acionado. 


As facas do Nível Baat Jaam Do, estão o tempo todo apontadas, prontas para o disparo a qualquer momento. Este estado mental, alerta, vivo, leva o praticante a um estado de atenção que exige uma resposta não apenas imediata, como também eficiente. 
Este cenário personifica, através dos disparos das facas, a escolha entre matar ou morrer, um combate simbólico que aponta para situações extremas, dialoga com circunstâncias que personificam a gravidade de uma má escolha, que pode ser a última. 
Não significa fica estar tenso, na realidade isso retira capacidade de perceber o cenário e reduz a chance de atuar de forma eficiente.
 Estar pronto, o tempo todo para atuar de forma imediata, e com a eficácia exigida para cada circunstância apresentada, pede um estado mental o máximo possível livre de emoções, pois o  
desejo em demasia retira a capacidade de fazer uma escolha eficiente. 
Sempre vai dar certo? Claro que não. A prática do Kung Fu dialoga com a vida. Ela tem variações e uma dinâmica que não cabe dentro de uma técnica. Por esta razão, ao desenvolver o seu Kung Fu, o praticante percebe que o Ving Tsun fala cada vez menos de técnica e mais da natureza de cada movimento, de cada expressão pessoal. Cada um, à sua maneira, encontrará a sua identidade, sua forma de estar pronto para o disparo. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Relaxar e ser gentil.

Patriarca Moy Yat.



 Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, nos disse que certa vez perguntaram à meu Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat:

- O que é ter alto nível de Kung Fu?

 A resposta surpreendeu aquela audiência: 

- É a capacidade de relaxar e ser gentil.

Por certo, não era esta a resposta que esperavam. Quando ouvimos falar de Kung Fu, o que vem imediatamente como uma imagem construída é de uma luta ou algo assim. A resposta que para aquela audiência certamente pareceu insólita, é na realidade a súmula daquilo que busco viver dentro da Família Kung Fu.



Si Fu caminha com Si Taai Gung Moy Yat.



O relaxamento é a melhor via de aumento de percepção. Alguém tenso não consegue estar atento o suficiente para compreender o cenário, avaliá-lo e dar uma resposta eficaz. 

Não se confunde relaxamento com distração, mas sim uma ausência ou redução de tensão, capaz de elevar a percepção, de não buscar manipular as circunstâncias, pelo contrário, se apoiar nelas, atuando em consonância com os acontecimentos. A chance de acerto com a leitura adequada das circunstâncias aumenta muito, e embora não seja uma certeza, fato é que uma leitura equivocada reduz e muito a chance de sucesso. 

Quando falamos em gentileza, falamos de uma relação com o outro. Traz a ideia de relação, conexão. A gentileza ocorre exatamente quando temos atenção cuidadosa para com o outro. É na atitude cuidadosa,  nos sentidos que cabem na palavra cuidado, seja o de cuidar ou de precaução. E quando cuidamos de forma atenta, chegamos ao que se chama zelo. 

O zelo é a condição não marcial para estar atento ao outro. Em um cenário de luta por exemplo, estar relaxado, ou seja, com baixo nível de tensão, permite uma leitura melhor das circunstâncias. Isso somado à gentileza, ao olhar cuidadoso para com o outro, para os sinais que a outra pessoa nos envia, faz tudo ficar mais perceptível. Não tem haver com ser bonzinho, e sim em estar aberto à leitura daquilo que o cenário e o outro inserido nele, oferecem, e atuar a partir daí. A vitória muitas vezes não vem unicamente de nosso esforço, mas de um cenário que requer leitura, e de alguém que nos oferta esta mesma vitória através de suas próprias atitudes. Não cabe aí nenhum tipo de manipulação ou esforço extra, afinal, se estou relaxado, consigo perceber o que a minha volta me favorece, e como a gentileza é relacional, esta postura me oferece a forma adequada de agir com o outro, através daquilo que o outro me oferta. 



Eu recebendo meu broche de Discípulo das mãos do meu Si Fu. 



segunda-feira, 5 de outubro de 2020

As várias faces da guarda.

 

Si Fu nos orientando durante a sessão de Baat Jaam Do ( 八斬刀).

Ouvimos hoje de nosso Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, sobre um excelente exercício para ajudar a controlar a ansiedade: ficar em guarda. 

Durante toda a minha trajetória dentro do Sistema Ving Tsun, sempre ouvi considerações sobre a máxima "relaxar na crise". Confesso que esta sentença nunca fez tanto sentido para mim como faz agora. No cenário de prática do Nível Baat Jaam Do (  八斬刀) você está segurando duas facas, que na realidade são metades de uma única, com desdobramentos que personificam um só movimento, sempre com a intenção de avançar, sofrendo variações porque algo que você precisa compreender para dar sentido a cada um dos desdobramentos e conectá-los em todo harmônico, impediu que os movimentos fossem desferidos todos com a intenção de disparo para frente. Desta forma, estar ou não em guarda o tempo todo, em todos os movimentos, fará a diferença entre praticar este Nível ou apenas reproduzir uma coreografia com facas nas mãos. 

O manuseio de armas, simboliza a morte e o cenário que se desdobra com a prática, fala em matar ou morrer o tempo todo, e aí o relaxamento para poder manter a intenção de guarda em todas as variações de movimentos executados com as facas, é um grande e necessário desafio para a compreensão deste Nível.

Entender a guarda como o estado de atenção, pronto para o disparo imediato o tempo todo e a qualquer momento, e estudar as deformações provocadas na guarda, é compreender o que ocorreu dentro de cenários que apontam para estas variações.

 O estudo das possibilidades que conduzem às várias faces da guarda, eleva a percepção, e sem dúvida,  ajuda a controlar a ansiedade, estimulando o praticante de Ving Tsun à se libertar de regras, fazendo da sensibilidade sua capacidade de sintetizar as ações, para adiante, apenas revisitar as listagens do Sistema, sem depender mais dele. 



sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Conviver Kung Fu.

 

                            Eu e meu irmão Kung Fu, Diretor do Núcleo Ipanema, Cláudio Teixeira.


Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho nos diz: "a diferença entre uma Família de sangue e uma Família Kung Fu, é que a primeira não escolhemos, a segunda sim." E esta escolha implica em algumas consequências sobre a nossa capacidade de refinar as formas de convivência, respeito e companheirismo, que desenvolvemos dentro de um Mo Gun (Casa de Guerra), praticando dentro de um  cenário de crise, despertando para a importância que há em crescermos juntos.

No dia de ontem, estive visitando o Núcleo Ipanema, e no final de um dia muito produtivo, eu e meu irmão Cláudio Teixeira, diretor do Núcleo, estudamos o Da Hung Jong (樁).Esta troca, além de muito profícua, personifica o espírito do Clã Jo Lei Ou, que é o de seguirmos juntos.

Dentro de uma Família Kung Fu, quebramos paradigmas sociais que apontam para a competição e superação do outro. O que nós construímos é o aprendizado contínuo através do zelo, nos dedicando ao nosso desenvolvimento também através da transmissão, gerando o refinamento do Kung Fu de outras pessoas.  Meu Kung Fu melhora quando desperto para a importância em apoiar a construção do Kung Fu de todos, transmitindo aquilo que adquiri de conhecimento como praticante, porém de modo algum vendendo "verdades", sempre respeitando a busca de cada um, apenas apoiando através do que aprendi,  sendo só mais um em uma rede fraterna para crescimento individual, resultando o proveito coletivo.

Nos finais de semana, com mesmo espírito, visito outra unidade: O Núcleo Méier, que tem como Líder meu Si Hing, Mestre Qualificado Thiago Pereira, que vem me ajudando a refinar meu processo dentro do Nível que estou iniciando, o Baat Jaam Do (  刀).

Da minha parte, à toda visita procuro apoiar os trabalhos lá realizados com os praticantes mais novos, e assim vamos nos apoiando e crescendo juntos. 

A Família Kung Fu é um laboratório para estabelecermos relações mais fraternas, dentro de um Mundo que parece ter crescido em tecnologia, e se aviltado no quesito humanidade. 


                                            Eu e meu irmão Kung Fu, Si Hing Thiago Pereira.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Sequência.

                              Minha Admissão na Família Kung Fu. Apresentando Sequência Siu Nim Do.




 Você por acaso já iniciou algo que considerava importante e, de repente, viu aquilo que acreditava ser algo muito bom, aquilo que foi destinatário do seu empenho por muito tempo, perder-se de você, e não ser a preparação de um segundo momento valoroso para sua vida?  

Se a resposta for sim, você não está sozinho. Porém, este Papo Kung-Fu vai falar sobre como esta tomada de consciência, unida à prática do Ving Tsun, despertou em mim não apenas a certeza da importância de dar o devido valor ao esforço que já fiz, mas para além disso, ter feito dele uma preparação para viver dentro dos valores que vivo hoje, e fazer com que a soma de tudo aquilo que o primeiro movimento desencadeou, venha a se apresentar como uma sequência lógica.




                                               Prática de Domingo: Antigo Estúdio Barra.



O próprio significado da palavra sequência: "ato ou efeito de dar continuidade ao que foi iniciado" alude para a atitude de fazer de cada passo que damos na vida uma preparação, e o seguinte, um resultado conexo. 

As sequências no Sistema Ving Tsun apresentam movimentos que não são um fim em si mesmos, eles despertam a consciência do corpo para que através daquelas se adquiram competências que desencadeiam o processo de desenvolvimento do praticante. 

Pensar nos movimentos apenas com aplicações para "a luta" é perder o que a sequência oferece de melhor: despertar a consciência corporal e para além disso, compreender como um movimento anterior é fundamental para a realização do próximo. Não existem quebras, não se tratam de "movimentos isolados" como se cada um fosse um fim em si mesmo. O anterior prepara a chegada do próximo, formando um desencadeamento lógico.  

Quando aplicamos em todas as áreas das nossas vidas, uma postura com este espírito, sendo os movimentos seguintes carreados pelos anteriores, atuamos com mais qualidade, alcançamos resultados mais eficientes. Valorizamos nosso esforço, compreendemos que todas as nossas atitudes apresentam consequências e que uma postura madura de um praticante de  Kung Fu respeita seus movimentos a tal monta que, compreende serem eles o prenúncio dos próximos, de que estão todos conectados.

É o trabalho de lançar a semente e cuidar do broto que irá, com o tempo, gerar a flor e o fruto da árvore. E assim, como a consequência do germinar é a árvore, a sequência traz um resultado completo, através do que cada movimento faz, por ser ele o fim do anterior e começo do próximo. 

Assim  não há gasto inútil de energia, tudo o que fazemos tem um objetivo claro, e uma sequência lógica. Ela é o agora, vinda do antes, e que aponta o depois.




                                          Si Fu e eu: Evento em Restaurante no bairro da Tijuca.