domingo, 11 de agosto de 2019

O Pai do meu Kung Fu.


Entrego o chá ao Si Fu durante meu Baai Si. Símbolo de que meu Si Fu me aceita como Discípulo. Ao fundo na foto meu Si Hing e orientador na Cerimônia,  Líder da Família Moy Fat Lei, Thiago Pereira.





Um Si Fu (Mestre Pai) é aquela pessoa que conhece Kung Fu bem mais do que você, e em consequência disso, é alguém que nem sempre dirá aquilo que você quer ouvir, mas sempre dirá aquilo que você precisa.
Não é uma tarefa nada fácil falar de seu próprio Si Fu, sempre ficará faltando muito a dizer, afinal, se trata do Mestre de diversas outras pessoas também, e cada um percebe algo sobre ele com base na relação Si-To, algo individual. E como é uma relação para a vida toda, sempre se construindo, estou certo de que a cada dia, novas páginas se acrescentam no livro da relação. Hoje escrevo sobre um pouco do muito que meu Si Fu fez e faz por mim.
Posso dizer que quando comecei na Família Kung Fu, minhas ilusões em "lutar bem" se resumiam ao combate corporal, como se eu entrasse pela tela de Cinema para ser o cara que salvava a mocinha e batia no vilão, bem clichê de filme americano. Si Fu me mostrou com o Ving Tsun como combater diversas outras lutas.






Si Fu e eu durante o intervalo em um Seminário no Núcleo Barra da Tijuca.






Meu Si Fu me fez ver que fantasia quando se fala em luta, é suicídio. Que não se faz firula, coreografia, ou se tenta adivinhar o que o outro vai fazer. É exatamente na percepção sobre o outro, respeitando o movimento que a outra pessoa faz, estando aberto para a relação, que alcançaremos um resultado de qualidade. E aí veio para mim uma das minhas primeiras conclusões sobre o Ving Tsun: eu posso aproveitar este ensinamento para qualquer coisa na vida.
Aprendi também, algo que seria impensável para mim, sem antes ter recebido seus ensinamentos: eu não gosto de luta. Durante muitos anos fiquei repetindo como um mantra que adorava luta, e quando meu Si Fu me mostrou através do Ving Tsun alguns dos os reais desdobramentos possíveis em uma luta, percebi como eu estava sendo infantil. Hoje, consigo compreender a luta de uma forma real, sem fantasia, e guardo como um momento histórico meu dentro do Ving Tsun o dia que meu Si Fu me disse: "Roberto, você não gosta de luta".







Si Fu orienta os presentes em um Seminário realizado no Núcleo Méier.





Uma outra característica marcante em meu Si Fu, está traduzida em uma conhecida frase sua: "é preciso ter um bom coração e uma péssima memória". Meu Si Fu tem uma grande capacidade em zerar ofensas recebidas em prol de algo maior, que é desenvolver o Kung Fu das pessoas. Nem sempre ele recebe a gratidão que merece, nem sempre é compreendido, mas sempre tem as portas abertas aos que lhe procuram. Aprender a zerar e começar de novo, não é fácil, o próprio Si Fu já disse várias vezes, "isso é treinado" e o caminho que trilho no Kung Fu, espero, me conduza também nesta direção, afinal, é sem dúvida, um elevado estágio de desenvolvimento humano.






Si Fu concede um autógrafo com dedicatória a mim, no livro de sua autoria intitulado: "Tao do Surf, zen e a arte de pegar onda".




Meu Si Fu possui uma leitura sobre o Kung Fu admirável. Não posso deixar de salientar que admiro muito sua capacidade de interpretar os movimentos marciais, sua técnica e sua excelência em transmissão. Por diversas vezes, só foi preciso Si Fu dizer uma única frase, para que minha compreensão sobre algo ficasse aclarada, permitindo que eu analisasse sobre, e ampliasse meus horizontes, ao repensar sobre o tema.
Em todas as minhas postagens eu tenho apresentado momentos da minha relação de aprendizado com Si Fu e esta não é diferente. Digo hoje o que sempre disse em todos os meus escritos, porém desta vez, o farei textualmente:
OBRIGADO SI FU! SIGAMOS JUNTOS!






Autógrafo e dedicatória concedidos a mim por Si Fu. 





domingo, 4 de agosto de 2019

Atuar no invisível.



Eu durante prática sábado passado. Núcleo Barra da Tijuca.




Um bom Kung Fu consegue observar no detalhe. Onde poucos conseguem ver, naquilo que não é explícito, a lente do Kung Fu consegue perceber. É um olhar cuidadoso, desenvolvido, aguçado.
Certa vez, no intervalo de um treino, meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, deu um exemplo sobre este, atuar no invisível.

O Brasil sempre foi um celeiro de craques de Futebol, e o personagem em questão do nosso exemplo é o craque Romário. Si Fu certa vez nos disse:
"Todos falam que o Romário não vai ao treino. Ele mesmo já brinca com isto, fizeram até música falando disso. Falam que ele só quer ficar jogando futevôlei na praia. Vocês já pararam para perceber o quanto de esforço é jogar na areia e como também nível de domínio de bola para poder praticar este jogo. Ele consegue um bom resultado treino, se divertindo".



Praticando com meu irmão Kung Fu, Cleiton Meireles.



Um bom Kung Fu não age no barulho. Inclusive existe a frase "uma mão mente, e a outra diz a verdade" que ilustra bem que nem sempre fica claro para o outro a intenção do artista marcial, é preciso um olhar atento, além é claro de dedicação à prática para que a sensibilidade se desenvolva. O chute do Ving Tsun, é conhecido como "chute invisível", o corpo não se move muito para a sua execução, como ocorre em chutes clássicos de vários outros estilos de arte marcial.

Atuar no invisível não é esconder o que faz. Si Fu nos diz que quando um chinês quer se esconder ele vai para o meio da praça lotada. A diferença está na capacidade de percepção. No Ving Tsun por exemplo, praticamos todos juntos, mas o alcance, a percepção daquilo que se pratica, é individual. Nada se esconde porém será a capacidade de leitura de cada um que trará a luz sobre aquilo que se apresenta para todos. Sem essa percepção, mantém se invisível até que se desenvolva o Kung Fu o suficiente para que se perceba.



Conversa entre Cleiton Meireles e Guilherme de Farias. 


 

domingo, 28 de julho de 2019

Poder Pessoal


Si Fu orientando seus Discípulos. Núcleo Barra da Tijuca.




A tomada de consciência do praticante de Ving Tsun sobre sua destinação natural leva-o a reconhecer  a sua vocação e perceber que ela é a sua manifestação legítima. Este processo de auto conhecimento eleva a percepção, expandindo o seu olhar cuidadoso para além de seus interesses particulares, alcançando aos que estão à sua volta com uma percepção cuidadosa, que no Ving Tsun chamamos de zelo. Este processo conduz a uma aptidão conhecida como poder pessoal.
A força que atua para a eficácia do poder pessoal está nas coisas e não no praticante. Ela ocorre dentro de uma espontaneidade, uma tendência que se manifesta. É nesta manifestação que o praticante atua, favorecido pelo potencial que a situação oferece, florescendo seu poder pessoal.





Relatando minha experiência à época, quando entrei na Família Kung Fu. Ao meu lado me observando, meu Si Hing e orientador à época, Fernando Xavier.




Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho sempre nos orienta a aderirmos as proposições uns dos outros, na medida em que uma ideia se transforme na ideia de todos, onde a abertura para o outro seja capaz de gerar benefício para todos. Por isso é uma perda de tempo para o praticante de Ving Tsun buscar sucesso pessoal dentro do meio marcial em detrimento do benefício dos que com ele praticam. É exatamente o contrário que assegura o triunfo do praticante, ou seja, ele se desenvolverá mais e mais a partir do momento que naturalmente participa do maior número possível de eventos promovidos em prol de todos, pois estará conduzindo e sendo conduzido por fatores favoráveis à sua transformação.
O poder pessoal decorre de um processo natural, as situações se apresentam e ele aflora por via de consequência. E os cenários que se apresentam, dos mais variados, tornam possível o efeito ser verdadeiro. Enfim, agindo com zelo, o praticante de Ving Tsun desenvolve a aptidão de saber como deixar advir o efeito desejado, ou seja, o seu poder pessoal.





Eu em momento de intervalo de prática no Núcleo Barra da Tijuca. 






domingo, 21 de julho de 2019

Há luz na ponta do bastão.


Roberto Viana e Guilherme de Farias: Intervalo na Prática de Luk Dim Bon Gwan. Núcleo Barra da Tijuca. 



Ter objetivos na vida é algo comum a todo ser humano. Afinal quem nunca sonhou em conquistar algo? Essa tem sido talvez o desejo mais presente na História da humanidade.
Desde sempre o homem tem lutado para tornar real suas aspirações: seja por amor, poder, prestígio, não importa, toda e qualquer coisa que se almeje passa necessariamente por três pontos: a preparação, o percurso e a chegada.
Quando preparo minha ação, devo reunir tudo aquilo que me favoreça a executar; quando executo, há um percurso que deve ser materializado de acordo com aquilo que preparei antes, ou seja, uma consequência da qualidade da minha preparação e finalmente, a execução deve ser o reflexo de todo o preparo, de toda energia, que concentrei no início, mantive no percurso, e se materializou no ponto que alcanço. A energia não deve se dissipar pelo caminho, pelo contrário, a resposta final deve ser o resultado de tudo aquilo que se fez antes.
O Nível Superior Intermediário do Sistema Ving Tsun, Luk Dim Bon Gwan, é para mim uma grande inspiração para a vida. A posição para preparar o disparo, a base estruturada, a posição das mãos, a precisão no disparo, dirão a você como bastão chega na ponta, com ou sem energia. Muitas vezes nos preparamos para algo, mas o nível de dedicação não nos conduz ao sucesso. Este Nível tem falado muito a mim sobre preparar, ler a preparação, permitir-se fracassar e tentar de novo. A cada tentativa um olhar atento para aprender como tirar melhor proveito de uma arma longa, que deve ser precisa na execução.




Praticando com o Ving Tsun Gwaan. 


Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, me disse que "arma não é para criança; no bastão deve-se ter uma outra atitude mental". Sempre penso na minha vida quando ouço meu Si Fu me orientar, e esta atitude mental que no bastão devemos ter, na vida, em tudo que fazemos, não deve ser diferente.
Quantas vezes fracassamos por termos preparado tudo com a devida atenção? Quantas vezes culpamos a terceiros por nossos próprios fracassos? Quantas vezes inventamos desculpas mirabolantes só para não reconhecermos que se algo deu errado, há sim sempre uma parcela de contribuição nossa nisso?

No Gwan não tem desculpa. Lembrando uma frase do Si Fu: " Roberto você só tem um tiro. Deve gastar (a energia) tudo!"

Estou no início e completamente fascinado por este Nível. Ele fala para mim, sobre o que devo fazer com a minha vida de uma forma muito especial. Ele tem me ajudado a apontar a "bússola das minhas ações" para a direção correta. Sempre soube o que deveria fazer, mas sempre inventei desculpas. No Gwan não há desculpas, e você deve ser preciso, determinado. Dentro um cenário de combate simbólico, trata-se de apenas um tiro, ou você mata, ou você morre. E exatamente esta gravidade no campo do simbólico que este nível me leva a refletir, que me ajuda a incorporar a necessidade de em preparar adequadamente o cenário de tudo aquilo que pretendo na vida, afinal o Gwan fala em projetar, e mostra na prática, que a qualidade dos nossos atos está totalmente ligada ao preparo e a tudo o que ocorreu durante até chegarmos "à ponta do bastão". Não há que se prender à sorte ou fatores externos. Se eles colaboram, aproveite-os também, porém o preparo, precisão e atitude diante do disparo é que vão determinar que energia chega à ponta do bastão, assim como chega como Kung Fu para sua vida.

 

Meu irmão Kung Fu, Guilherme de Farias orientando sobre a linha central no Ving Tsun Gwaan.

domingo, 14 de julho de 2019

Sobre experiências.




 Si Fu, Roberto Viana, Thales Cabral e Pedro Ivo. Núcleo Barra da Tijuca 2019.



Certa vez, meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, disse para mim: "Roberto, não há experiência boa ou ruim. O que há é a experiência e o que você consegue extrair dela".
  A vida é um processo dinâmico, e como tal, nos apresenta diversos cenários os quais teremos momentos felizes e outros não. A questão que levanto aqui é a de como um praticante de Kung Fu reage, não quando tudo parece tranquilo, mas quando tudo parece dar errado.
Desde quando iniciei a prática de Ving Tsun ouço a máxima "relaxar na crise", e embora fosse corretamente transmitido o termo, a medida em que o tempo passa e o Kung Fu amadurece, esta assertiva vai ganhando contornos cada vez mais detalhados.
Observando pelo lado mais duro, aquele onde as coisas parecem sempre dar errado, é preciso avaliar qual a participação que temos para que elas assim ocorram. Um praticante de Kung Fu não deve perder seu tempo colocando-se na posição de vítima, ou culpar os outros por seus infortúnios. Sei por experiência própria o quanto isto é difícil assumir esta postura e ao mesmo tempo o ganho que esta consciência traz como posicionamento diante de crises.
Diferente de uma inação, relaxar em momentos difíceis ajuda a pensar melhor sobre qual saída encontrar. Diante do volume de problemas, por mais que isso entristeça qualquer ser humano normal, ficar sempre triste por conta deles pode se transformar em um vício perigoso, conduzindo até a um estado depressivo.


Eu durante intervalo de prática. Núcleo Barra da Tijuca, ano 2018.





O conjunto de pressões impostas à todos na sociedade moderna, requer que o indivíduo desenvolva a capacidade de resposta em tempo e forma adequadas. Não cabe falar em experiência boa ou ruim, não perde-se tempo com isso. O que há é a vida acontecendo e o que se pode extrair de ensinamento daquilo que se vive.
E para ajudar o praticante a encontrar suas respostas com base em seus valores, é que o Sistema Ving Tsun promove Vida Kung Fu. Apresentando os mais variados cenários de crise ao praticante, este tem a oportunidade de, em um ambiente controlado, e orientado por seu Si Fu,  encontrar respostas para situações em que, talvez sozinho e sem orientação, respondesse de forma não muito favorável ou até, nem encontrasse uma resposta. Na Vida Kung Fu, com a vivência de cenários, adquirimos um repertório para uma melhor reflexão sobre nossas experiências, e como extrair o melhor possível, de cada uma delas.




Si Fu orientando seus Discípulos durante Seminário de Alinhamento Teórico do Programa Fundamental. Foto 2019.

domingo, 7 de julho de 2019

O que nos faz ser Família.



Si Fu e Si Mo com alguns de nossos irmãos Kung Fu, após efeméride sobre o natalício de Patriarca Moy Yat.




Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, valoriza a união de todos nós, seus Discípulos. Em todos os Eventos ele conta conosco para, ao estarmos juntos, possamos crescer igualmente juntos. O Kung Fu, como um processo de desenvolvimento humano que é, aperfeiçoa-se com a troca de experiências, sendo fundamental a reunião de todos. O Si Fu é o elo que une  todos os praticantes de Ving Tsun, é quem irá através de seu conhecimento, alimentar o Kung Fu de cada um, e a partilha entre todos, fortalece o espírito da Família Kung Fu.

Roberto Viana, Vladmir Anchieta e Luciano Freitas (da esquerda para a direita). Dia de prática no Núcleo Barra da Tijuca.




Uma Família Kung Fu é uma escolha, você decide estar lá e conviver com pessoas de origens diferentes, formas de pensar diferentes, mas que se unem através de um objetivo comum que é desenvolver seu Kung Fu. Este objetivo, orientado por nosso Si Fu, faz com que, pessoas que talvez jamais se encontrassem na vida, tenham a oportunidade de conviver e formar laços para toda a vida.
Não é fácil a convivência dentro de um Mo Gun (casa de guerra), o que não significa que seja ruim, pelo contrário. É na dificuldade que o cenário proporciona que temos a oportunidade para crescer, enfrentar nossas fraquezas, e junto com nosso Si Fu e irmãos Kung Fu, superá-las ou pelo menos aprender a conviver com elas sem que elas nos façam sofrer tanto.



Eu ao lado do Diretor do Núcleo Barra da Tijuca, meu irmão Kung Fu, André Guerra.


Na prática "emprestamos" nosso próprio corpo para ser golpeado e assim servir de material de estudo para nossos irmãos, e eles fazem o mesmo por nós. Isso gera um grau de responsabilidade para com o outro e de confiança nele, que começamos a desenvolver relações e vínculos que dificilmente teríamos a oportunidade de desenvolvermos em um outro lugar.
Por tudo que unidos desenvolvemos e adquirimos, sempre juntos, a palavra Família traduz adequadamente o grau de relação que desenvolvemos com a prática de Ving Tsun dentro do Clã Moy Jo Lei Ou.



Eu ao lado do meu irmão Kung Fu, Clayton Meireles.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Minha Leitura dos Diários de Bordo.




Si Baak Gung William Moy.




No último fim de semana de junho, ocorreu em uma bela casa no bairro do Brooklin em São Paulo, a inauguração do Instituto Moy Yat. É um espaço que guarda o acervo do Patriarca de mossa linhagem e ao mesmo tempo, um espaço para desenvolvimento de Vida Kung Fu. É um projeto piloto que irá se estender a outras partes do mundo, e tem como Diretor Geral, Si Baak Gung, William Moy.
Os meus irmãos Kung Fu Thiago Pereira e Carmen Maris, assim como meus sobrinhos Kung Fu Caroline Arcanjo e Luiz Felipe Grativol fizeram registros e compartilharam conosco suas experiências. Pela primeira vez, o Clã Jo Lei Ou esteve em um Evento com todas as suas gerações presentes, um verdadeiro marco histórico.
  Esta postagem é uma breve leitura sobre relatos dos membros da Comitiva, e sobre como o relatos de Vida Kung Fu podem nos inspirar.




Si Fu entrega presente à Si Taai Vanise Imamura por ocasião de seu Aniversário comemorado durante o Evento.






No dia 29 de junho, Si Baak Gung William Moy ministrou a Palestra "Moy Yat, Meu Pai, Meu Si Fu, onde relatou sobre sua relação com nosso Patriarca. Lembro que meu Si Hing Thiago Pereira (Moy Fat Lei) postou no mesmo dia a foto que registra ter ganho o roteiro da Palestra autografado. Há coisas que não precisam ser ditas, apenas percebidas. O sorriso do meu querido irmão Kung Fu na foto mostra bem o significado para ele deste presente.

Thiago Pereira recebe de Si Baak Gung William Moy o roteiro da palestra: Moy Yat, Meu Pai, Meu Si Fu autografado.




O relato de Caroline Arcanjo (Moy Ging Feng) sobre o momento em que fez sua pergunta à Si Baak Wiliam Moy é muito bonito e inspirador. Com medo em fazer uma pergunta durante a palestra devido à sua conhecida timidez avaliou entre "ir com medo mas ir", ou perder esta oportunidade que, por ser rara, poderia ser única. O desfecho do seu relato não poderia mais doce: um sorriso de seu Si Fu após a pergunta.

Carmen Maris (Moy Kat Ming) escreve com uma riqueza de detalhes que valoriza a experiência do leitor. O seu relato sobre a escultura do Si Taai Gung, ser expressa apenas seu contorno e o material em ferro para propositalmente sofrer a ação do tempo, mostra ao mesmo tempo o Kung Fu do idealizador da escultura, como sem dúvida, como Carmen valoriza a informação que está "escondida" no detalhe, ou seja, uma manifestação de Kung Fu.




Carmen Maris ao lado de Caroline Arcanjo. 





Luiz Felipe Grativol (Moy Lou Jing) falou sobre o pouco tempo e a intensidade do Evento. Lembro que em seu convite para Discípulo da Família Moy Fat Lei, o seu Si Gung e meu Si Fu, Mestre Julio Camacho, disse-lhe sobre como o tempo cronológico não é necessariamente tempo de Kung Fu. A intensidade daquilo que se vive é o que realmente faz a diferença.



Luiz Felipe Grativol e Caroline Arcanjo com a camisa criada pela Família Moy Fat Lei para o Evento. 





Meu Si Fu sempre nos diz: "Sigamos juntos". Creio que seja este um dos espíritos que movem o Grande Clã Moy Yat: pessoas de diversas partes do mundo, tendo em seu legado o amálgama que une à todos em uma mesma Missão: a salvaguarda do Sistema Ving Tsun.




Si Fu ministra Palestra durante inauguração do Instituto Moy Yat.













domingo, 23 de junho de 2019

A luta começa quando a energia acaba.



Mestre Senior Julio Camacho.



Durante muito tempo, quando ouvia a palavra luta, pensava em tudo aquilo que era necessário para que eu tivesse êxito: conhecimento do maior número possível de movimentos marciais, força, agilidade, elasticidade e acima de tudo, energia. A reunião destes elementos, pensava eu, levariam-me a ter um resultado, no mínimo satisfatório em um cenário de luta. Era uma forma de compreender a luta cercando-a de um conforto proporcionado pelas ferramentas que citei. Porém havia uma questão importante que eu sempre levantava: Um cenário que permite ter à minha disposição todos estes elementos, é de fato um cenário de luta?

Trazendo luz ao tema, meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, durante uma prática coletiva disse aos presentes, dentre os quais me incluo: " Si Gung (Grão Mestre Leo Imamura)  certa vez disse que a luta começa quando a energia acaba". Esta frase levou-me a refletir sobre o que de fato é uma luta, e se todos os elementos que eu acreditava serem necessários, seriam partes de um todo, ou apenas coadjuvantes de menor importância?


Intervalo de prática no Núcleo Barra ao lado do meu irmão Kung Fu Cleiton Meireles.


Visitando o dicionário, encontro para a palavra luta definições que apontam para o combate entre dois indivíduos até ou povos inteiros, de animais de diversas espécies por espaço e alimento, luta das pessoas por trabalho, vida digna e etc.
Há uma frase atribuída a William Shakespeare sobre lutar que me chama atenção: "Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor".
 Eu não leio esta frase como se este amor viesse "de mão beijada". Há aqui uma ação fora do olhar desatento, há uma arte de lutar sem lutar, há uma ação estratégica, aquela que se antecipa, reúne as condições para que os movimentos aconteçam, que as ações sejam eficientes, e ocorram sem esforço exagerado para alcançar o que se deseja, atua antes que o cenário se configure. E isso não tem nada haver com adivinhar o que virá, e sim estar aberto para interagir com qualquer coisa que aconteça.
Se não houver desconforto, não há luta. E quando a exaustão chega até nós, seja ela física ou emocional, retirando nossa capacidade de reagir da forma que faríamos em circunstâncias onde toda a nossa energia ainda está presente, quando ficamos completamente esgotados, aí a luta começa.
E será exatamente em  momentos assim que nosso Kung Fu se manifestará para nos favorecer, porque quando a energia acabar, só ele restará.
É fundamental para o praticante de Ving Tsun a convivência dentro do Mo Gun (Casa de Guerra) por ser o local preparado para que ele experimente em um cenário controlado, variadas situações de crise. É na relação com seu Si Fu que seu Kung Fu se desenvolve para atuar em todo e qualquer cenário de luta, afinal o desenvolvimento humano é antes de tudo uma arte para a vida. E não há luta maior que ela.


Voltando para casa após a prática com meu Si Hing Vladmir Anchieta. 

domingo, 16 de junho de 2019

Defenda seus valores.



Convite para o meu Baai Si: Eu relatando ao Si Fu, algumas de minhas experiências de vida Kung Fu. Foto 2016.


Quando comecei a praticar Ving Tsun, carregava algumas ilusões que considero comum aos iniciantes nas Artes Marciais. Embora não fosse exatamente um iniciante por já ter praticado por um bom período outra arte marcial, posso dizer que aquele meu novo começo tinha um ineditismo no que diz respeito à forma de interpretar o combate.
Não se tratou apenas de manifestações corporais distintas, na realidade o maior movimento de mudança que o Ving Tsun me proporcionou, aconteceu internamente. E não é um processo fácil enfrentar "demônios internos", expressão que considero a mais clara para adjetivar vícios e deformações de caráter que eu carregava, e que hoje em um grau bem menor ainda carrego. No desenvolvimento do meu Kung Fu sou constantemente desafiado a enfrentá-los.
Foi neste encontro comigo mesmo que pude desnudar minha alma, ( nenhuma menção a qualquer tipo de referência religiosa) ficando mais clara a importância em defender meus reais valores, minhas virtudes, aquilo que considero mais importante para viver bem.




Eu fixando minha foto no quadro de membros, no dia em que fui aceito na Família Kung Fu. Foto 2003.




Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, por diversas vezes mostrou-me a importância de defender valores que não raras vezes, abandonei. Cumprir aquilo que se propõe, não por teimosia, mas por um comportamento estratégico que avalia antes a possibilidade de realização, bem como a importância de dar força às próprias palavras. Compreender a hora de agir e de parar, do esforço e do descanso, afinal, o Kung Fu não é uma estrada rumo ao heroísmo, pelo contrário, é um caminho para agir com maior qualidade e menor esforço possível, é ser inteligente.
Encontramos diversas barreiras na vida, e não raro, fazemos aquilo que não queremos, vivendo de uma forma que não nos faz feliz, e não encontrando resposta para nossos desafios. Ao praticar o Ving Tsun percebi coisas em mim que ainda não havia parado para perceber, um processo ao mesmo tempo duro e enriquecedor. Pude colocar diante de mim um "espelho" onde vi coisas que gostei e outras não, e aprendi muito com isso, na verdade continuo aprendendo, mas isso não foi o principal. Foi
exatamente diante de minhas limitações, que passei a girar a lente do meu novo olhar, agora mais atento, para meus valores pessoais. Ficou mais claro sobre a importância de atender minhas necessidades, meus desejos, fossem eles imediatos ou não, e até meus sonhos, ou seja, o conjunto de valores que me fazem desenvolver, uma forma eficaz de me fortalecer como ser humano.
 Encontramos na vida diversos "vampiros ideológicos" que tentam desviar-nos daquilo que realmente nos torna pessoas melhores, e se estivermos fracos, caímos na armadilha. Com a prática do Ving Tsun  aprendi a dizer sim àquilo que é importante para mim, a dizer não quando for preciso, e a defender meus valores para fazer por mim algo que só eu posso fazer: ser feliz.




Momento de descontração no Núcleo Barra da Tijuca:: Rubia, Fernando, eu e Thales. Foto 2019.




                                                              
                                   




domingo, 9 de junho de 2019

Sobre estarmos juntos.



Si Fu com três de seus Discípulos: Pedro Ivo, Thales Cabral e Roberto Viana (da direita para a esquerda).




Há uma frase de meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, que  é uma boa chave de leitura para compreender o espírito que move o Clã Moy Jo Lei Ou. Antes de citar a frase propriamente dita, vou apresentar a minha compreensão sobre a importância dela como uma súmula de nosso Clã.
A força de uma Família Kung Fu está na sua unidade, mesmo, obviamente, contendo pessoas diferentes, em praticamente tudo: altura, peso, idade e principalmente, personalidade. Em muitos lugares poderíamos falar em difícil convivência, mas aqui temos algo diferente. Existe um objetivo comum a todos que é o crescimento de seu próprio Kung Fu, e neste aspecto, quanto maior a diferença, melhor o resultado. O praticante de Kung Fu vivencia um grande número de emoções boas e ruins, e toda a experiência entra como aprendizado, nada é perdido. Com a orientação de nosso Si Fu, transitamos por diversos cenários, e cada um conta igualmente, não há bom ou ruim, só há experiência.



Dai Si Hing Leonardo Reis e Clayton Meireles durante prática no  Núcleo Barra da Tijuca. 



É preciso perseverar porque o caminho não é curto, muito menos fácil. E nem deve ser, afinal são desafios que nos colocam diante do nosso máximo, que aumentam nossa capacidade de responder melhor à circunstâncias que antes, poderiam nos levar ao desespero.
A importância de estarmos juntos como irmãos Kung Fu em todo este processo, é entre outros motivos, o fato de que não há como desenvolver humanidade sozinho. É na relação com o outro que podemos compreender melhor nossas reações através dos estímulos externos. Como já disse é uma estrada longa para se caminhar sozinho.
A frase do meu Si Fu "sigamos juntos" para mim é a luz que ilumina minha estrada, rumo à conclusão do Sistema Ving Tsun e para além dela.



Irmãos Kung Fu: Roberto Viana, Rubia Barbosa e Fernando Xavier.




domingo, 2 de junho de 2019

Alinhar o discurso à prática.






Si Fu ministrando o Seminário de Alinhamento Teórico do Programa Fundamental. Foto 2019.




Um dos maiores desafios em praticar o Ving Tsun, na minha opinião, é que ele desnuda as nossas fraquezas, nos põe frente a frente com nossos vícios mais íntimos. Diversas vezes, saí do Mo Gun me sentindo muito mal, com uma sensação de fracasso, ou como se fosse colocado diante de mim um espelho que fosse capaz de fazer ver coisas em mim que eu, não queria assumir, que simplesmente desejava ignorar, como se quisesse continuar infantil, mesmo sendo já homem adulto.
O desenvolvimento do Kung Fu em muitos aspectos é doloroso, porque te estimula a abandonar comportamentos que muitas vezes servem de fuga, e em um Mo Gun (Casa de Guerra) fugir quase sempre não é a melhor opção.
Algo muito comum que podemos perceber na maioria das pessoas é a falta de alinhamento do discurso com a prática. Quantas vezes dizemos ou ouvimos de outras pessoas, que certas ações serão realizadas e, ao final o resultado é que o que se diz, não se faz.
O primeiro nível do Sistema Ving Tsun, o Siu Nim Tau desenvolve no praticante o foco. Quando focamos em um único ponto, estamos atentos a ele, agimos em função dele. Quando desenvolvemos o foco e passamos a aproveitá-lo como uma ferramenta para tudo o que fazemos, desenvolvemos a capacidade de alinharmos nosso discurso às nossas ações. Isso é essencial para alcançarmos melhores resultados, é uma postura estratégica.




Si Fu observa a mim e a meu orientador, Si Hing Thiago Pereira, Líder da Família Moy Fat Lei, durante sua fala em minha passagem de nível para o Luk Dim Bun Gwan. Foto 2018.




Alinhar discurso e ação é, antes de tudo, respeitar a si próprio, dando às próprias palavras a força motriz para as ações, é uma forma de expressão pessoal onde o respeito por si próprio é personificado neste alinhamento. Não se trata de uma forma orgulhosa de manter a palavra a qualquer preço, ou ser teimoso e não mudar de ideia, muito pelo contrário. Quando um praticante de Kung Fu alinha seu discurso às suas ações, ele mediu antes o alcance delas, suas condicionantes e consequências, e se necessário, fará os ajustes que julgar importantes durante o processo de execução. Alinhar o discurso à ação é um trabalho de foco.





Conversando com Si Hing Fernando Xavier durante no intervalo do Seminário de Alinhamento Teórico do Curso Fundamental. Ao fundo na foto Guilherme de Farias (braços cruzados) e Cleiton Meireles. 





segunda-feira, 27 de maio de 2019

Luz, Câmera, Kung Fu!



Posto 8 na Praia da Barra (da direita para a esquerda): Si Mo, Si Fu, Gabriel Queiroz, Roberto Viana e Rubia Barbosa.


Os meus domingos em geral são bem preguiçosos. Acordo tarde, continuo deitado um tempo, e quando vejo, já é quase meio-dia. Domingo passado foi bem diferente.
Acordei antes das 6 da manhã, tomei café e me arrumei para ir em direção ao bairro da Barra da Tijuca. Lá, no Condomínio onde está localizado o Mo Gun (significa Casa de Guerra, é nosso local de prática de Ving Tsun) encontrei minha irmã Kung Fu Rubia Barbosa. Tínhamos uma missão: irmos ao Posto 8 da Praia da Barra da Tijuca nos encontrarmos com Gabriel Queiroz, para sermos dirigidos por ele em cenas que serão utilizadas em uma Campanha Publicitária sobre o trabalho de Ving Tsun, realizado pelo Clã Moy Jo Lei Ou.





Início das filmagens na praia: Rubia Barbosa, Gabriel Queiroz e Roberto Viana.



O conceito é muito interessante. Mostrar pessoas diferentes, com hábitos igualmente diferentes e depois apresentá-las em um ambiente que a elas é comum: o Mo Gun. Minha irmã Rúbia Barbosa não será minha companheira de cena na filmagem sobre a prática do Ving Tsun, porém neste dia, dividimos não só as locações das filmagens, tivemos também juntos com Si Fu e Si Mo, momentos de vida Kung Fu.
 Chegamos um pouco mais cedo que o combinado. Em seguida, Gabriel Queiroz nos encontra e orienta para as cenas com locação na praia. Eu e Rubia nos tornamos atores por um dia, e até o fim das gravações daquele domingo inicialmente nublado, Rubia seria agraciada com "três Oscars".
Ainda antes de iniciarmos as gravações, recebemos o telefonema de nossa Si Mo, Sra. Márcia Moura para as primeiras orientações do dia. Mais tarde, depois de finalizada a primeira etapa, Si Fu e Si Mo chegaram e fomos todos ao Bosque da Barra, onde as gravações tiveram sequência.




Eu sendo filmado por Gabriel Queiroz na locação da praia. Foto: Rubia Barbosa.



Si Fu apoiou o trabalho, colaborando com sua experiência em Cinema, assim como nossa Si Mo, com a expertise que possui como atriz profissional. Eu e Rubia estávamos tendo o nosso dia de estrelas.
Com nosso Si Fu nos conduzindo a todos durante as gravações no Bosque da Barra, pudemos experimentar momentos de Vida Kung Fu onde o foco e a seriedade na execução daquilo que nos propomos a fazer, vinham unidos à momentos de descontração e porque não dizer, de felicidade, com tudo sendo executado de forma responsável e ao mesmo tempo com muita leveza; realizado com Kung Fu.

Fiquei feliz com minha participação: filmado correndo na praia, depois no Bosque, tentando fazer barra e alongando, executando "um pedaço" do Siu Nim Tau.
 Porém, esta postagem irá estender o tapete vermelho para minha irmã Kung Fu, Rubia Barbosa. Afinal, os três "Oscars" que ela recebeu de meu Si Fu, personificam o que foi aquele domingo: trabalho sério, mas com um astral delicioso e descontraído.
 E quais foram as estatuetas? Pelas cenas de "melhor leitora", pela cena "saída no tempo certo da câmera", e como "melhor pintora de capivara". Rubia além de professora e advogada, é pintora. E no Bosque da Barra encontrou, naquele maravilhoso domingo, a sua Gioconda.




Rubia desenhando a capivara, sendo filmada por Gabriel Queiroz. Foto: Si Mo, Márcia Moura.

domingo, 19 de maio de 2019

Chi Sau: aprender e recomeçar do zero.



Si Fu observa Chi Sau entre Si Suk Diego Guadelupe (camisa dourada) e Gil Batista.

Ouvi de meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, uma frase muito importante e ao mesmo tempo muito difícil de ser vivida: " É preciso ter um bom coração e uma péssima memória". O contexto da frase fala sobre a importância de saber zerar uma falha, uma ofensa, enfim, algo de ruim que alguém tenha dirigido contra nós. Isso está longe de ser "bonzinho". Esta frase deve ser lida à luz do pensamento estratégico.
    O Chi Sau (que pode ser traduzido como "rolar braços") acompanha o praticante de Ving Tsun por um longo tempo em sua jornada. Diversos são os sentimentos que podem ser experimentados nesta rica prática: raiva, frustração, medo, covardia, satisfação, alegria, e tantos outros. Hoje não vou falar sobre as técnicas associadas ou sobre os pontos que podemos observar durante a rolagem dos braços aderidos. Venho falar sobre algo que também é muito importante, e que esta prática nos dá oportunidade de desenvolvermos, sendo ao mesmo tempo tão importante e tão difícil de adquirir: a capacidade de recomeçar do zero.
Assim como qualquer pessoa, já experimentei (e ainda experimento) algumas frustrações na vida, mas posso dizer que não saio delas da mesma forma como saía antes, primeiro graças à relação com meu Si Fu, e também através dele, e por segundo, pela prática do Ving Tsun.
O Chi Sau mostra entre outras coisas que muitas vezes somos golpeados porque nos colocamos na situação para que isto aconteça. A leitura que o companheiro de prática faz da nossa energia, posicionamento, distância e do timing,  levam-no muitas vezes, a golpear-nos. É como se "pedíssemos" por isso, dando ao outro todas as condições. Na vida não é diferente.



Praticantes, hoje Mestres: Si Suk Diego Guadelupe (camisa dourada) e Si Hing Thiago Pereira (Líder da Família Moy Fat Lei) praticando o Lei Dei Chi Sau. 



Muitas vezes nosso comportamento nos leva a sermos "golpeados pela vida" de modo que todo  ser humano sente muito daquilo que um praticante de Ving Tsun sente na prática do Chi Sau. Porém, da mesma forma que depois de um golpe, voltamos a posição inicial, e zeramos para nova "rolada de braços", assim é a vida; depois do golpe ela continua e precisamos seguir em frente.
Sim, é muito difícil na prática, e isso me faz lembrar outra frase de meu Si Fu, quando um irmão Kung Fu meu reclamou sobre a dificuldade em lidar em certas situações, que envolviam inclusive outros irmãos nossos: " Eu sei que não é fácil zerar certas coisas. Isso é treinado..." Esta frase me marcou muito porque a exemplo de meu Si Fu que já alcançou este nível, tenho o objetivo de também chegar a ele. Afinal, quem sabe zerar não está alheio ao que ocorreu, menos ainda age desta forma por ser mais fácil, muito pelo contrário. Ter poder pessoal para escolher, sem ser dominado pela emoção, é um estágio de desenvolvimento elevado.
 Se deixar afetar para além daquilo que o fato tem o potencial de incomodar acusa certa imaturidade ao passo que, não ser afetado, por ter aumentado sua zona de conforto na adversidade, por ter sido treinado para lidar com ela, aprendendo com a circunstância e não a culpando, isso é ter Kung Fu.  
 É saber agir na vida, assim como no Chi Sau: ser golpeado, aprender com isso, zerar e começar de novo.


Si Fu recebe em sua casa com direito à prática de Chi Sau em sua varanda: Si Suk Diego Guadelupe, Si Hing Vladimir Anchieta e Si Hing Thiago Pereira (da esquerda para a direita). 

domingo, 12 de maio de 2019

Si Mo: A Mãe da Família Kung Fu.

Si Mo em minha Cerimônia de Acesso ao  Luk Dim Bun Gwan, em 19 de novembro de 2018.



Meu Si Fu, Mestre Senior Júlio Camacho, nos conta que Si Gung, Grão Mestre Leo Imamura, disse certa vez: "Se o homem é a cabeça da família, a mulher é o pescoço, pois ela controla para onde a cabeça olha sem ela perceber". Esta é sem dúvida uma forma de atuar com Kung Fu, porque ela não precisa aparecer para fazer a diferença, para fazer com que o resultado aconteça.
Por diversas vezes, meu Si Fu contou que minha Si Mo, Márcia Moura, co-líder do Clã Moy Jo Lei Ou, cobra-lhe disciplina com o horário de seus remédios, lembra-lhe sobre datas e compromissos, enfim, cuida dele. É essencial que o Si Fu esteja bem sob vários aspectos, uma vez que seus compromissos para com a Família Kung Fu são numerosos, trabalhosos e muitas vezes, exaustivos. Por mais que seus To Dai zelem por ele, o nível de zelo de nossa Si Mo, é incomparável. Nesta atuação onde a "Família Kung Fu não vê", Si Mo faz por todos nós, colaborando para o bem estar de nosso Si Fu, o que se reflete em benefício para toda a Família Kung Fu.



Si Fu ensina-me a escrita do ideograma Si Mo.



Nossa Si Mo também atua diretamente nas atividades de nossa Família Kung Fu: nossas postagens por exemplo, são organizadas por ela, que semanalmente realiza o controle de todas, e com seu trabalho, atua no desenvolvimento de cada praticante em uma área fundamental da comunicação; a escrita, trazendo a oportunidade para que cada membro da Família Kung Fu aprimore a capacidade de se comunicar, de ativar áreas do cérebro como desenvolvimento do raciocínio, criatividade, capacidade de comunicar-se com clareza, ou seja, desenvolver seu Kung Fu.
O "Si" de Si Mo tem o mesmo significado que o "Si" de Si Fu, que pode significar: "alguém que sabe um pouco mais que você". Já o "Mo" significa literalmente mãe. Além de nossa Si Mo, a Senhora Márcia Moura também é praticante de Ving Tsun, e provavelmente com o tempo se tornará Si Fu.




Ideograma Si Mo escrito por Si Fu.



Nossa Si Mo é atriz profissional e disse por ocasião de sua festa de aniversário, junto a nós da Família Kung Fu, que pretende ajudar as pessoas através da arte de seu ofício.
Estou certo de que com a arte que ela desenvolve  dentro do Sistema Ving Tsun, ela ajuda a muitos de nós a atuarmos em nossos papéis principais: a vida.



Si Mo, partindo o bolo de seu aniversário, ao lado de Si Fu.


Parabéns Si Mo, Mãe da Família Jo Lei Ou.